segunda-feira, novembro 27, 2006
Há algo errado no mundo
Há uns dois anos atrás, quando eu estava no segundo colegial,comecei a emagracer de um jeito esquisito, a sentir falta de ar e a me cansar com qualquer coisa. Fui no médico e descobri que estava com anemia.
As vitaminas não funcionavam e acabavam com meu estômago. Depois de uma endoscopia, vi que meu estômago ainda estava bem,mas que era arriscado continuar tomando os remédios. Então passei a tomar um soro com ferro na veia, uma vez por semana. Resultado: ferritina muito alta, mas hemoglobinas iguais. Então procurei um hematologista e descobri que eu não tinha anemia coisa nenhuma, mas que aquele era meu "biótipo" (ou algo assim).
Que seja.
O que aconteceu foi que nesse meio tempo eu cheguei a pesar 47 quilos, espalhados nos meus 1,75 de altura. Muito pouco, claro... Com o tempo eu fui melhorando (esquisito melhorar de uma coisa que até hoje eu não sei o que foi) e, como conseqüência, engordando. E descobri que engordar é uma das piores experiâncias desse mundo!! É claro que ninguém vê a diferença, afinal eu tava muito magra e hoje continuo magra. Mas quando eu ia dormir,deitada de bruços, eu sentia uma coisa macia me encomodando: minha barriga!! É lógico que eu me senti uma gorda... E fiquei muito preocupada, pensando que, se eu continuasse assim, iria virar uma rolha.
Enfim: engordar é horrível, mas no meu caso era necessário, e é óbvio que tudo tem limite.
Passando por tudo isso, comecei a me interessar por transtornos alimentares. Queria entender como tudo acontece, o que faz uma pessoa ter uma visão tão distorcida de si mesma, etc. Não posso dizer que consegui entender, nem que pesquisei o bastante pra isso. Mas hoje eu visitei vários blogs de pessoas com anorexia, ou tentando ficar com NF (no food), e percebi uma coisa: elas nunca vão se tornar o que tanto querem ser.
A cada post, uma foto diferente. Todas de modelos ou atrizes magras e lindas, como a foto aí do lado, tirada de um dos blogs... Nos textos, coisas como "fiquei chocada[com a morte de Ana Carolina Reston], mas não penso em parar agora".
Eu não consigo entender... Mas também não tenho preconceitos. Só acho que essas meninas precisam de ajuda, ajuda séria, e precisam ser ouvidas e levadas a sério.
Não é fácil estar fora do atual padrão de beleza, todo mundo sabe disso. Mas levar esse ideal às últimas conseqüências é demais.
Digo isso porque sei como é ter 47 quilos. Parecia que eu ia quebrar!!!! Me sentia seca e fraca. Mas sei também que qualquer quilo a mais é um terror, destrói a auto-estima, realmente deixa a impressão de que se está com 200kg a mais.
Então, o que eu queria mesmo, é conversar com essas menias, ouvir o que elas pensam sobre tudo isso. E tentar alertar, por mais que eu não tenha nada a ver com a vida delas. Acaba que minha profissão vai ser parecida né?? Fazer recomendações, prescrições, tentar ajudar gente que não me conhece... Mas, antes de tudo, falaria que elas: procurem anorexia no Google Imagens. Aquilo não é beleza, definitivamente!
Não é certo que nós, mulheres, deixemos que uma indústria em busca de maiores lucros e de pessoas mais fácies de se vestir (e que, portanto, permitem uma produção em larga escala), nos transforme nisto:

As vitaminas não funcionavam e acabavam com meu estômago. Depois de uma endoscopia, vi que meu estômago ainda estava bem,mas que era arriscado continuar tomando os remédios. Então passei a tomar um soro com ferro na veia, uma vez por semana. Resultado: ferritina muito alta, mas hemoglobinas iguais. Então procurei um hematologista e descobri que eu não tinha anemia coisa nenhuma, mas que aquele era meu "biótipo" (ou algo assim).
Que seja.
O que aconteceu foi que nesse meio tempo eu cheguei a pesar 47 quilos, espalhados nos meus 1,75 de altura. Muito pouco, claro... Com o tempo eu fui melhorando (esquisito melhorar de uma coisa que até hoje eu não sei o que foi) e, como conseqüência, engordando. E descobri que engordar é uma das piores experiâncias desse mundo!! É claro que ninguém vê a diferença, afinal eu tava muito magra e hoje continuo magra. Mas quando eu ia dormir,deitada de bruços, eu sentia uma coisa macia me encomodando: minha barriga!! É lógico que eu me senti uma gorda... E fiquei muito preocupada, pensando que, se eu continuasse assim, iria virar uma rolha.
Enfim: engordar é horrível, mas no meu caso era necessário, e é óbvio que tudo tem limite.
Passando por tudo isso, comecei a me interessar por transtornos alimentares. Queria entender como tudo acontece, o que faz uma pessoa ter uma visão tão distorcida de si mesma, etc. Não posso dizer que consegui entender, nem que pesquisei o bastante pra isso. Mas hoje eu visitei vários blogs de pessoas com anorexia, ou tentando ficar com NF (no food), e percebi uma coisa: elas nunca vão se tornar o que tanto querem ser.
A cada post, uma foto diferente. Todas de modelos ou atrizes magras e lindas, como a foto aí do lado, tirada de um dos blogs... Nos textos, coisas como "fiquei chocada[com a morte de Ana Carolina Reston], mas não penso em parar agora".Eu não consigo entender... Mas também não tenho preconceitos. Só acho que essas meninas precisam de ajuda, ajuda séria, e precisam ser ouvidas e levadas a sério.
Não é fácil estar fora do atual padrão de beleza, todo mundo sabe disso. Mas levar esse ideal às últimas conseqüências é demais.
Digo isso porque sei como é ter 47 quilos. Parecia que eu ia quebrar!!!! Me sentia seca e fraca. Mas sei também que qualquer quilo a mais é um terror, destrói a auto-estima, realmente deixa a impressão de que se está com 200kg a mais.
Então, o que eu queria mesmo, é conversar com essas menias, ouvir o que elas pensam sobre tudo isso. E tentar alertar, por mais que eu não tenha nada a ver com a vida delas. Acaba que minha profissão vai ser parecida né?? Fazer recomendações, prescrições, tentar ajudar gente que não me conhece... Mas, antes de tudo, falaria que elas: procurem anorexia no Google Imagens. Aquilo não é beleza, definitivamente!
Não é certo que nós, mulheres, deixemos que uma indústria em busca de maiores lucros e de pessoas mais fácies de se vestir (e que, portanto, permitem uma produção em larga escala), nos transforme nisto:

Posted by Linne at 13:22
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